quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os "encostos" à luz da Doutrina Espírita


É muito comum se falar em "encostos". Algumas igrejas até possuem um dia específico para a "retirada de encostos".

É sobre esse assunto místico que hoje nos propomos falar, na tentativa de retirar o caráter misterioso e mágico sobre o tema.

Desde épocas remotas se fala em possessão demoníaca (os demônios, diziam, têm o poder de entrar no corpo do indivíduo e possuí-lo, governando-o).

Allan Kardec, ao pesquisar os fenômenos espíritas, questionou os Espíritos Superiores sobre o tema, obtendo explicações com as quais ele desenvolveu a ideia da Obsessão.

Obsessão é o império, o comando de um espírito sobre um indivíduo.

A obsessão existe, basicamente, segundo Kardec em "O Livro dos Médiuns", em três espécies:

Obsessão simples: o espírito obsessor se acopla psiquicamente na pessoa e lhe transmite seus pensamentos, seus sentimentos, seus desejos, etc. É a mais comum.

Fascinação: o espírito obsessor como que hipnotiza o obsediado, os pensamentos negativos do espírito obsessor exercem um domínio tão potente que é capaz de fazer a pessoa perder a noção do que é certo e do que é errado, perder a noção de quem ela é, de quais suas prioridades.

Subjugação: é a possessão, o espírito obsessor domina completamente a mente do obsediado, que tem movimentos involuntários, o espírito o comanda, como uma marionete.

Em todos os casos, importante ressaltar, o espírito obsessor JAMAIS entra no corpo da pessoa obsediada. O comando é feito de espírito para espírito, ou seja, é o espírito obsessor que se liga energeticamente ao espírito do encarnado e assim exerce seu domínio.

A grande questão é entendermos como essa ligação energética surge, de modo que possamos evitá-la.

Em tal ligação, é como se nós criássemos uma tomada e o obsessor o plug, se ligando ao nosso psiquismo. Essa "tomada" é por nós criada por meio de pensamentos e sentimentos ruins, de pessimismo, de ódio, de rancor, de medo, e similares.

Levando-se em conta o nosso atual estado de espíritos imperfeitos, espíritos com um passado tortuoso (em outras reencarnações), onde fizemos muitos inimigos por conta dos nossos atos egoístas, fica claro o quanto estamos vulneráveis a recebermos influências de espíritos menos dignos.

Jesus já advertia: "Vigiai e orai", exortando-nos a vigiar os pensamentos, pois que são os pensamentos ruins que atraem a companhia espiritual correspondente. E a oração, dentre outros benefícios, higieniza nossos pensamentos, nos coloca em ligação com o Mais Alto.

Nossos pensamentos nada mais são que manifestações do que sentimos, dos nossos sentimentos, uma pessoa de sentimentos nobres, terá pensamentos nobres, e o inverso também é verdadeiro.

Daí a caridade - como meio de mudança íntima, de melhorar a nós mesmos do ponto de vista moral -, ser o mais eficaz remédio e também vacina contra a obsessão.

A verdade é que podemos considerar como obsessão o império constante de um espírito ruim sobre uma pessoa, o que é algo não tão comum. No entanto, na Terra, ninguém está isento de receber, vez ou outra, as influências negativas de mentes desercarnadas que, por nossa invigilância - e também pelo nosso natural atraso moral, característica comum do ser humano terrestre -, encontram a brecha necessária para a perturbação, que eles operam por vingança (por conta de fatos ocorridos em vidas passadas), por inveja, por quererem se prender aos vícios materiais, por ignorância, etc.

Pensamento é energia que se propaga. Somos influenciados por pensamentos dos desencarnados e também dos encarnados, numa constância que o vulgo nem imagina. Se oferecemos campo correlato - ou seja, se pensamos mais ou menos naquele nível e com aquelas espécies de pensamentos -, tal energia que a nós se achega, nos impregnará, causando alguns transtornos emocionais e até físicos. Isso, a nosso ver, seria o famoso "olho gordo".

Em suma, devemos temer mais o que nós sentimos e consequentemente pensamos, vez que um coração nobre proporciona pensamentos sadios, fazendo com que a criatura fique imune as todas essas influências espirituais negativas e, ao contrário, se ligue aos bons espíritos e a Deus.

Importante salientar, por fim, que em todos os casos qualquer espécie de amuleto, simpatia ou algum outro ato exterior parecido de nada valem, apenas a oração e a mudança de atitude mental por meio da reforma íntima - que se opera de maneira mais eficaz através da prática do bem e da caridade -, são capazes de verdadeiramente nos livrar dessas influências negativas.













terça-feira, 9 de agosto de 2011

Espiritismo, religião da fé raciocinada


Toda religião, cristã ou não, leva a Deus. Isso é uma certeza.

Porém, tendo em vista que cada ser humano encontra-se numa faixa de evolução distinta, ou seja, cada indivíduo possui uma idade espiritual, cada religião existe justamente para atender aos anseios de certo número de pessoas, em correlação com o que estas podem assimilar em espiritualidade.

A evolução das religiões faz-se inevitável.

No passado distante, no paleolítico e no mesolítico (há cerca de 15 mil e 10 mil anos antes de Cristo, respectivamente), as manifestações religiosas já existiam, tendo como base os fenômenos da natureza.

No início da história, após a invenção da escrita (há mais ou menos 6 mil anos), deuses mais elaborados surgiram no Egito e na Mesopotâmia.

Na Índia e na Grécia (sobretudo junto a cultura minóica da ilha de Creta) antigas, toda uma mitologia foi se desenvolvendo, com seus deuses poderosos, mas cheios de defeitos humanos.

Os cultos que - na pré-história eram cheios de sacrifício humano - reduziram-se a sacrifícios animais.

Junto ao povo judeu - após a malsucedida tentativa no Egito de Akhenaton - surgiu o culto ao Deus único, não se dispensando, no entanto, práticas bem arcaicas como, por exemplo, o sacrifício animal.

Com Jesus nos foi apresentado o Deus de Amor, com o Espiritismo - que é o Consolador Prometido pelo Cristo -, passamos a entender o porque de Deus ser amor, e também veio até nós as explicações sobre outras leis naturais que regem a vida.

Isto posto, sumariamente, percebemos o quanto a religião evoluiu e irá sempre evoluir, assim como todos os ramos da humanidade.

No entanto, a Doutrina Espírita, baseada na fé raciocinada, isto é, em fatos patentes, frutos de observações, análises, experimentos e conclusões - em claro método dedutivo e indutivo de pesquisa -, está alicerçada na dinâmica da evolução do pensamento humano sob reflexos do pensamento Divino, advindo do próprio Cristo.

Luz resplandecente, o Espiritismo é o pálido reflexo do Criador na Terra - em amor e sabedoria - na medida que a humanidade pode compreender e sentir.

Quanto mais luz se conquista, mais luz se capacita a receber, daí o dinamismo da Doutrina do Consolador.

As demais religiões, presas ao convencionalismo terreno, aos jogos do poder e aos interesses econômicos, por conta de tudo isso, ficam presas a um caminhar evolutivo mais lento, vez que este caminhar significa libertar-se desses interesses inferiores - que nós muitas vezes fomentamos -, coisa que alguns dos seus líderes e adeptos não desejam.

Por isso o Espiritismo deve permanecer livre no que tange às amarras advindas das convenções terrenas, mas sempre atrelado ao Evangelho.

Entretanto, as religiões tradicionais evoluirão, a passos mais lentos, é verdade, mas que com o caminhar do progresso humano gradativamente se acelerarão.

Enquanto o Espiritismo for o que é, ou seja, o Evangelho de Jesus Redivivo, ele será eterno, caminhando em expansão de luz e de acordo com a luz que pudermos assimilar.

Nosso compromisso, então, é permanecermos fiéis ao Evangelho de amor ao próximo, única garantia da perpetuação da Doutrina do Consolador que, como prometeu Jesus, veio para ficar conosco para sempre.

Matias;

Areado - MG, 08/08/2011






terça-feira, 2 de agosto de 2011

Saúde do Corpo e do Espírito

Em comparado ao antigo entendimento médico, hoje bem mais se compreende a relação entre a saúde do corpo e a saúde do espírito, cuja manifestação se efetua pela mente e suas realizações.

A questão das doenças psicossomáticas hoje é pacificamente aceita pela medicina que - após o comum materialismo que imperava, no Ocidente, em meados do século XIX -, passou por substancial evolução no século XX, até que nas últimas décadas deste, começou a se interessar pela saúde mental/espiritual da criatura que, atualmente, inclusive, compõe o critério utilizado pela Organização Mundial da Saúde para designar a saúde no ser humano.

O Espiritismo - que em muitos pontos se adianta às descobertas da ciência convencional - já tratava dessa ligação entre saúde espiritual e corporal, quando no "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, os Espíritos Superiores ensinavam que o "corpo (e as características pessoais de indivíduo para indivíduo) era o reflexo do espírito"; e em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", disserta-se sobre os cuidados com o corpo e com a alma.

Entretanto, a humanidade ainda começa a caminhada para entender a ligação-reflexa existente entre espírito(mente) e corpo.

Sendo o espírito, com seu corpo espiritual (ou perispírito) o modelo primordial para a incidência ou não deste ou daquele gene e para a correspondente aglutinação celular, tem-se que os males ditos congênitos nada mais são do que reflexo da bagagem espiritual do indivíduo, que torna um gene recessivo ou não, conforme as necessidades da criatura.

Ao longo da vida, a saúde espiritual - ou seja, o equilíbrio, a serenidade, a esperança, a fé, a alegria de viver; todas frutos da paz interior - é fator importante para o fortalecimento de leocócitos (glóbulos brancos) e plaquetas, cuja produção e sadia divisão estão, também, subordinadas aos comandos mentais (manifestação do espírito), que podem produzir, por sua vez, energias salutares ou dissociativas que influenciam na produção destas e também no funcionamento geral das demais células, que são estruturas sensíveis a estas energias magnéticas.

Os citados sentimentos (que não deixam de ser, ao mesmo tempo, pensamentos) são responsáveis em manter o equilíbrio do organismo, evitando, com efeito, disfunções gástricas, nervosas, circulatórias, epiteliais e cardíacas que podem também ser desencadeadas ou agravadas por uma mente em desalinho, que dá vazão ao ódio, a raiva, a maledicência, a excessivas preocupações, a inveja e ao ciúme.

Diante do exposto, facilmente chega-se à conclusão de que o Evangelho de Jesus é a receita certa para a saúde espiritual de todos nós.

Com Jesus, isto é, vivendo Jesus em nossos atos, pensamentos e atitudes, encontramos a paz interior, base das virtudes responsáveis pela saúde da alma, saúde esta que, como seres imortais, é a verdadeira e, consequentemente, deve ser a mais desejada.

Tenshi;

Areado, 01/08/2011