segunda-feira, 30 de maio de 2011

O STF, a União Homoafetiva e a Sociedade


Em recente decisão o Supremo Tribunal Federal validou a união estável homoafetiva, grande passo para a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e que, acima de tudo, marca o progresso da nossa sociedade, vez que ampara um grupo até então discriminado, vitimado por preconceitos e até mesmo por atos de violência em clara demonstração de primitivismo animalesco e total falta de solidariedade e fraternidade.

"O Brasil está vencendo a guerra desumana contra o preconceito, o que significa promover o desenvolvimento do Estado de Direito, sem dúvida alguma.” Disse o Ministro Marco Aurélio de Mello, do STF.

Estado de Direito é aquele surgido com o Constitucionalismo Clássico do final século XVIII na Revolução Francesa e na Independência dos EUA, sendo que tal tipo de Estado tem como principal valor a liberdade. Daí o Ministro dizer que a validação da união homoafetiva foi uma promoção do Estado de Direito, vez que prestigia a liberdade dos indivíduos de serem o que são, sem serem discriminados por isso.

Além disso, conforme argumentação do Ministro Joaquim Barbosa, o reconhecimento desse instituto também se fundamenta nos princípios da dignidade da pessoa humana, característica marcante da nossa Constituição Federal, como se depreende ao lermos o aduzido no se art. 3º:

Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Como típica constituição fruto do chamado Constitucionalismo Contemporâneo – surgido após a Segunda Guerra Mundial - que preza pelos ditos valores da fraternidade, tal legitimação sem dúvida resta amparada pela nossa Lei Maior, aliás, a nosso ver tal amparo até tardou a chegar.

No entanto, tomamos a liberdade para, expressando nossa opinião, dizer que embora a importância do feito, mais valoroso seria a promulgação da Lei Contra Homofobia (PLC 122/06).

Não nos esquecemos de um fato veiculado na mídia na época da última copa do mundo, onde noticiava-se que um menino de quatorze anos, bom filho e bom aluno, homossexual, fora TORTURADO E MORTO pelo simples fato de ser o que é... A mãe chorava convulsivamente, indignada pela injustiça...

Pensamos que se com a promulgação de tal lei ao menos uma morte dessas for evitada, já teria valido a pena! Seria o sofrimento de uma família que seria evitado. Se somente um ato de violência homofóbico for evitado, com certeza tal lei já teria valido a pena.

Nosso raciocínio é simples. Promulgar tal lei significa proteger vidas e evitar sofrimentos, não promulgar, sob qualquer argumento que se fundamente, é preconceito e falta de fraternidade.

A homossexualidade até os anos 90 era considerada pela OMS como doença. Em 1971 em histórica sabatina na extinta TV Tupi, o médium Chico Xavier, alma luminosa, já dizia que a homossexualidade, bem como a bissexualidade, eram ocorrências normais, ressaltando que como ser humano que é, o homossexual é digno de todo o respeito.

No livro O Consolador, psicografado pelo mesmo médium, o espírito Emmanuel afirma que as leis humanas evoluem e com o passar do tempo se aproximam das leis divinas. Ora, leis que protegem solidariamente um determinado grupo humano até então vitimado, se enquadraria perfeitamente no dever de “amor ao próximo” ensinado por Jesus, que é a mais bela expressão da lei divina.

O médium e palestrante espírita Raul Teixeira, mestre e doutor em educação, sobre o assunto assevera:

“Se estivermos vendo como um crime duas pessoas que se amam, ainda que de mesma morfologia, viverem juntas e fazerem o bem, o que é que vamos pensar das que estupram, dos pedófilos, dos que furtam o erário, os que mantêm o povo na pobreza para que eles e sua família enriqueçam? Então não podemos querer coar mosquitos e deixar se engolir elefantes.”

Em suma, Jesus trouxe a perfeita e clara expressão das leis de Deus à Terra, sendo que tal lei baseia-se no amor ao próximo, na fraternidade, que é o que a nossa Constituição defende ao exaltar a dignidade da pessoa humana.

Quem ama ao próximo, respeita, não discrimina. Tanto a validação da união homoafetiva como a promulgação de uma lei contra a homofobia atendem ao dever de fraternidade de todo cristão, vez que defende direitos que todo ser humano faz jus e tenta evitar violências e sofrimentos que ainda existem por parte daqueles que se prendem a forma transitória da manifestação dos sentimentos humanos, se esquecendo, sobretudo, que o espírito não tem sexo e o que realmente importa é o que trazemos no coração, nada mais.

Por conta de heranças atávicas e costumes negativos, nossa sociedade hipócrita se choca mais ao ver duas pessoas do mesmo sexo de mãos dadas em atitude respeitosa de amor, do que ver duas pessoas apontando armas uma para a outra... Que fraternidade é essa que nós, muitas vezes, dizemos prezar?

Quando a humanidade passar a viver em verdade o Evangelho de Jesus, que é a expressão maior da lei de Deus, vivendo, com efeito, a real fraternidade e solidariedade, o preconceito e o desrespeito a outro ser humano, seja por qualquer motivo, será coisa do passado. Entretanto, carece que o Estado, formado por homens e mulheres que parecem já conceber a vida sob esse prisma, tome a iniciativa de promover, também, essa transformação que cabe a todo cristão que verdadeiramente espera viver em um mundo mais fraterno e pacífico.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Review do livro "Há Dois Mil Anos" e reflexões



"Alma gêmea de minha'lma...
flor de luz de minha vida....
Sublime estrela caída...
das belezas da amplidão
Quando eu errava no mundo...
triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração....

Vinhas na bênção dos deuses
Numa divina claridade,
Tecer-me sorrisos de esplendor!
És meu tesouro infinito,
Juro-te eterna aliança,
Porque sou tua esperança,
Como és todo meu amor!

Alma gêmea de minha'lma,
Se eu te perder algum dia...
Serei tua escura agonia,
Da saudade nos seus véus...
Se um dia me abandonares,
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te, entre as flores
Da claridade dos céus."

O poema acima é do livro “Há Dois Mil Anos”, psicografado por Chico Xavier, ditado pelo espírito Emmanuel.

Em tal livro é contado a história de amor entre Públius Lêntulus – uma das reencarnações do autor espiritual – e sua alma gêmea, Lívia Lentúlia, ambos patrícios da Roma da época de Jesus Cristo, e que, devido a problemas familiares, têm suas vidas entrelaçadas ao caminho luminoso do Mestre de Nazaré.

Esse poema marca o amor existente entre essas duas almas afins, amor esse que tem sua maior expressão de nobreza por parte de Lívia, espírito iluminado, pessoa já dona de elevados sentimentos.

Mas, qual, afinal, a fórmula para um relacionamento amoroso saudável?

“Respeito e consideração na sua mais ampla acepção: considerando o outro como um ser humano livre para fazer suas escolhas; considerando o outro como alguém capaz de viver sozinho(a); considerando o outro como alguém dotado(a) de sentimentos e potencialidades que, assim como nós em relação a ele(a), pode nos engrandecer em algo; considerando o outro como merecedor(a) do tratamento que nós gostaríamos de receber nas várias situações da vida em conjunto.

Quê é o amor romântico entre duas criaturas senão o ensaio do legítimo amor fraterno que haverá, um dia, de nortear a relação entre toda a humanidade?” Tenshi.

Para a apreciação de todos!




terça-feira, 10 de maio de 2011

O período de transição do planeta


Muito comentado atualmente é o periodo pelo qual a nossa humanidade está passando, período este onde os espíritos renitentes no mau estão tendo a última chance de reencarnarem na Terra e também espíritos iluminados estão reencarnando a fim de promoverem as tão necessárias mudanças sociais, éticas e morais da humanidade.

Aos primeiros, caso não aproveitem a última oportunidade de melhorarem-se, restará o exílio para outro mundo do Universo. Um mundo mais atrasado, algo como a nossa Terra na época da Idade da Pedra, vez que aqui só ficarão aquelas criaturas que já se conscientizaram da necessidade de mudar a nós mesmos, da necessidade de nos renovarmos gradativamente para o bem, para a fraternidade e para o amor ao próximo.

Entendemos que um mundo de regeneração requer espíritos conscientes da necessidade da sua própria regeneração moral.

Não estamos falando de um mundo perfeito, onde as criaturas não mais carregam os defeitos milenares do egoísmo e do orgulho, se comprazendo com os erros e com a somatória de compromissos cármicos por conta de atos bárbaros, egóicos e tresloucados; mas sim falamos de um mundo onde as criaturas, embora ainda cheias de defeitos, não mais se afinizam com os erros e com os sentimentos inferiores, conscientes da necessidade de se moralizarem, de caminharem segundo os ensinos de amor ao próximo de Jesus, único caminho que conduz o ser humano a verdadeira felicidade.

Para termos o mérito de permanecermos na Terra - e isso é um entendimento nosso -, não necessitamos vestir a túnica de anjos, coisa que ainda estamos distantes de ser, mas precisamos sim termos vontade de mudar, trabalhar pela mudança interior, pela nossa autoiluminação, caminho que só se faz quando exercitamos o bem e o amor ao próximo, estendendo solidariedade em formas de bençãos de reconforto moral e material aos irmãos mais necessitados, cientes de que, em verdade, todos somos os necessitados, necessitados de amor, aquele amor que só Jesus - a personificação do Amor de Deus na Terra - é capaz de nos dar, quando unimos nosso coração ao Dele estendendo a caridade irrestrita às criaturas.


terça-feira, 3 de maio de 2011

EDUCAÇÃO (algumas reflexões)

A princípio, é válido dizer que ao escrever esse despretensioso artigo, estou me arriscando numa área na qual sou leigo, porém, ousando, convido o leitor a refletir um pouco sobre a educação, em especial, àquela dirigida à infância e a adolescência.

Hodiernamente noto que no que tange a educação, existe uma diferença substancial entre as escolas particulares e as públicas: nas primeiras, a educação – que é puramente intelectual – visa apenas e tão somente que o aluno adquira conhecimento para fins de vestibular e, com efeito, elevar o nome da escola a patamares da fama que resultarão em retorno financeiro para a mesma; nas segundas, não raramente, o que se quer é que o aluno – desinteressado – passe de ano.

Obviamente existem, nas duas espécies de instituições de ensino, as suas exceções, tanto entre os profissionais, quanto entre os alunos.

O interessante é que o conceito de educação, a paideia - surgida na Grécia no século V a.C. e tendo como incentivadores grandes vultos como Sócrates, Platão e Aristóteles -, tinha como escopo não só a formação intelectual do indivíduo, mas a sua formação como cidadão, isto é, formar o caráter ético e moral da pessoa.

Johann Heinrich Pestalozzi, grande pedagogo e educador suíço, no início do século XIX, incorporou o afeto à educação, ensinando que o amor deflagra a autoeducação do indivíduo. Para ele só o amor tinha força salvadora, capaz de levar o ser humano a plenitude moral. Pestalozzi, obviamente, não desconsiderava o valor do patrimônio intelectual, mas ressaltava claramente o valor do desenvolvimento moral dos indivíduos.

Allan Kardec, o ínclito codificador da Doutrina Espírita, ao questionar os Espíritos Superiores sobre as necessidades das leis penais, obtém resposta que aqui transcrevo por julgar pertinente ao tema:

796 – A severidade das leis penais não é uma necessidade, no estado atual da sociedade?

- Uma sociedade depravada tem, certamente, necessidade de leis mais severas. Infelizmente, essas leis se interessam mais em punir o mal, quando já feito, do que secar a fonte do mal. Não há senão a educação para reformar os homens. Então eles não terão mais necessidade de leis tão rigorosas

Mas, a qual tipo de educação refere-se essa resposta? Seria a educação exclusivamente intelectual, aquela que enche o indivíduo de bagagem cultural, mas carece de lhe ensinar a respeitar ao próximo? A resposta para tal questionamento encontra-se na questão de número 889 do mesmo livro, que diz: [...] “mas se uma boa educação moral os houvesse ensinado a praticar a lei de Deus, eles não cairiam nos excessos que causam a sua perda; é disto, sobretudo que depende o melhoramento do vosso mundo.

É a educação moral, a mesma já aclamada por Pestalozzi como tão necessária.

Numa sociedade que parece caminhar, dia após dia, para o caos do desrespeito ao próximo, do egoísmo que massacra os interesses alheios em nome dos próprios interesses de sempre ter e ter mais, culminando, muitas das vezes, em crimes bárbaros, a necessidade de uma educação ético-moral das crianças e dos jovens, torna-se gritante.

Para sabermos qual a fórmula desta espécie de educação, recorro ao maior educador do mundo: Jesus.

Nas palavras do espírito Joanna de Ângelis, em psicografia do médium Divaldo Franco, fica clara a importância do Mestre Nazareno para a humanidade:

“[...] Jesus é atual pelas terapias de amor e pelos ensinamentos que propõe ao homem contemporâneo, mas, também, pelo exemplo de felicidade e exteriorização de paz que irradiava.

Enquanto as ambições desregradas conduzem as inteligências ao paroxismo e à alucinação da posse, da fama, da glória, das disputas cegas, Ele ressurge na consciência moderna em plenitude, jovial e amigo, afortunado pela humanidade e a segurança íntima.

A atualidade necessita urgentemente de Jesus descrucificado, companheiro e terapeuta em atendimento de emergência, a fim de evitar-lhe a queda no abismo.”

A terapia que Jesus propõe como meio de educar moralmente o indivíduo, é a chamada terapia da caridade. Ele ensinou tal terapia em várias passagens, notadamente na Parábola do Bom Samaritano, onde fica claro que o amor em ação, isto é, a caridade, é capaz de moldar os sentimentos humanos para o respeito ao próximo, algo que a nossa sociedade tanto precisa.

Ensinando e exaltando o amor ao próximo, Jesus queria dizer que sem o exercício deste, não haveria meio de efetivamente criar no coração das pessoas o sentimento de respeito por outras criaturas, o sentimento de fraternidade.

Por isso Chico Xavier estimulava tanto os trabalhos assistências e de beneficência voluntária. Mesmo que uma vez ao mês, incentivava Chico, seria salutar que doássemos aquilo que possuímos – nossa paciência, palavras de esperança, palavras de consolação e até mesmo algo material – para aqueles que precisam, pois assim estaríamos exercitando a solidariedade e a fraternidade, logo, estaríamos desenvolvendo gradativamente esses mesmos sentimentos em nós.

Questiono se as instituições de formação da criança e do adolescente não poderiam incentivar tal prática? Me pergunto se seria viável a aplicação desse método junto às instituições de ensino? Mais do que ensinar valores, tal terapia estaria esculpindo valores éticos e morais no caráter dos jovens.

Hoje, quando muitas famílias desestruturadas são incapazes de fornecer o mínimo de valores ético-morais para seus filhos, não caberia às escolas algo colaborarem nesse sentido? Não digo em substituir aquilo que compete aos pais, coisa que seria impossível, entretanto o mínimo em educação moral – não desprezando a educação de cunho intelectual -, também não seria obrigação das escolas? Afinal, vivemos em sociedade, e a criança ou o jovem que no futuro se torna um adulto avesso às regras básicas de respeito e solidariedade, acabará por afetar negativamente a nós mesmos.

Deixo aqui mais questionamentos do que respostas, pois reconheço minha incapacidade de estas fornecer; espero, no entanto, que o nobre leitor que perdeu seu tempo lendo esse humílimo artigo reflita um pouco.