domingo, 17 de fevereiro de 2008

A hipótese da Reencarnação – parte I

O que vemos no mundo? Desigualdades sociais, desigualdades de ordem física, desigualdades de ordem intelecto-moral. Como compreendermos tantas desigualdades? Como entendermos o por que de uns nascerem com saúde, isentos de doenças e enfermidades, enquanto outros padecem de males de ordem fisiológica? Por que uns nascem em fartura enquanto outros em miséria? Seria Deus, Pai e Senhor do Universo, um Ser injusto e parcial, que por simples prazer inflige a uns o sofrimento gratuito enquanto a outros dá a felicidade? Que pai ou mãe seria capaz de tratar seus filhos com desigualdade? Em outras palavras, se pais e mães humanos, cheios de defeitos e imperfeições, não gostam mais de um filho do que de outro, por que Deus, que é pura perfeição, trataria Seus filhos com tanta desigualdade, parecendo-nos que Ele prefere uns e detrimento de outros e o pior, gratuitamente, porque aparentemente não há motivos para essa desigualdade.

Pois bem, em primeiro lugar esclarecemos que falamos aqui àqueles que acreditam na existência de um Ser Superior, e que tudo o que existe é fruto de sua criação e não mera coincidência e falamos também para os que crêem que a morte não vem ser o fim de tudo, mas que a vida continua em espírito.

Consideraremos, pois, duas hipóteses, a existência de uma só vida e a existência da reencarnação, ou seja, das vidas sucessivas. Fato é que, se existe uma só vida ou se existe a reencarnação, não interessa a nossa opinião pessoal, pois Deus não veio nos perguntar nossa opinião para criar as Leis que regem o Universo, portanto o que fazemos aqui é refletir sobre quais das hipóteses nos parece mais racional para explicar as questões levantadas no início do texto.

Se existe uma só vida significa que a nossa alma, ou nosso espírito, foi criado por Deus no momento da concepção, ou seja, todos foram criados de maneira exatamente iguais, mas então por que uns nascem com doenças e deformidades física e outros nascem com a saúde perfeita? Uns responderão que é porque tal família ou tal pessoa precisa passar por aquilo, mas então por que justamente eles precisam de passar por aquilo enquanto outros não? É o mesmo que conceder que certos alunos ingressem numa faculdade sem o vestibular enquanto que outros tenham que passar pela prova.

Neste caso considerando a hipóteses da reencarnação, compreendemos que se uns nascem fisiologicamente perfeitos e outros não, não é porque Deus os trata com desigualdade, pois isto seria inadmissível para a Pura Perfeição que é Deus, mas sim que há espíritos que estão resgatando os erros passados, quando não andaram segundo a lei de amor e fraternidade e hoje expiam seus débitos ante a consciência Divina, não significando que isto seja um castigo, mas sim um remédio amargo que vem reabilitar aquele espírito milenar, a ensinar-lhe, tal como o aluno repetente, a necessidade de seguirmos a lei de amor e fraternidade que, por determinação Divina, rege o Universo.

Mas então por que não nos lembramos das vidas passadas? Segundo a hipótese da reencarnação, estamos então pagando por coisas que não nos lembramos? Sim, e pela hipótese da vida única estamos pagando por algo que não fizemos... Qual parece mais justa e de acordo com a justiça e bondade de Deus? Se não nos lembramos é para o nosso bem, pois se assim é, é porque Deus o quis, portanto tem que ser bom; afinal, quem gostaria de se lembrar de atos maldosos cometido no passado e viver com essa perturbação em mente?

Outros pontos interessantes a se considerar são as aptidões inatas; certas pessoas possuem aptidões e facilidades que outros não o possuem, novamente vemos uma desigualdade entre os filhos de Deus e se considerarmos que só se vive uma vez, outra resposta não há senão aquela que nos apresenta Deus criando alguns cheios de talentos e aptidões, enquanto outros não as possuem. Mas com a reencarnação compreendemos que se uns possuem algo a mais, no quesito aptidões, é porque as apreenderam em vidas passadas e delas guardaram a intuição e inclinação.
(continua)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Jesus e o Espiritismo

“Se vós me amais, guardai meus mandamentos; e eu pedirei a meu Pai, e ele vos enviará um outro Consolador, afim de que permaneça eternamente convosco: o Espírito de Verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê e não o conhece. Mas quanto a vós, conhecê-lo-eis porque permanecerá convosco e estará em vós. Mas o Consolador, que é o Santo-Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenha dito.” João 14: 15, 16, 17 e 26.

Jesus e o seu Evangelho são pouco compreendidos e ainda menos vividos; nesses últimos dois mil anos os homens deturparam e desvirtuaram seus ensinamentos, tudo por interesses escusos, fatos esses dos quais não nos esquivamos, pois compreendendo a reencarnação sabemos que éramos nós que efetivávamos essas ignomínias. O Mestre Nazareno, sabendo que seus ensinamentos de fraternidade iriam abalar a sociedade vigente, acostumada a cultos externos que eximiam os homens de verdadeiramente mudarem suas más condutas, programou para no tempo certo, quando a ciência estivesse liberta das imposições religiosas, mandar o Consolador, por ele prometido, como demonstra o citado texto bíblico.

Não raro, nos defrontamos com pessoas que não compreendem qual o verdadeiro caráter da Doutrina Espírita, não compreendendo que ela nada mais é do que o Evangelho Restaurado, sem as deturpações de origem humana. O Espiritismo, pois, é o Evangelho de Jesus de volta; com ele passamos a ver Jesus de Nazaré não mais como o Deus que quer apenas ser louvado ou lamentado (na sexta-feira da paixão), mas sim como o nosso modelo e guia, um mestre por excelência, que nos fornece as diretrizes para uma vida em paz e feliz.

Não há que se falar também em privilegiados, pois a Doutrina dos Espíritos foi ditada para a humanidade, afinal, com base no citado nome, quem na Terra não é espírito? Portanto, ela é para todos!

Por tudo isso, devemos nos ater no caráter cristão do Espiritismo, deixarmos para segundo plano os fenômenos mediúnicos e esquecermos das facilidades evocadas nos cultos exteriores que não são maus, mas que também nada nos acrescentam. Vivenciemos o Evangelho como roteiro para a felicidade na paz de consciência, pois se o Espiritismo como Evangelho Redivivo precisa ser divulgado, não há maior meio de divulgação deste do que os exemplos daqueles que o professam.

Ademais, a escola da beneficência e da caridade é o instrumento pelo qual nos acostumamos a prática do bem, nos libertando do vício do egoísmo e do orgulho que nos domina há várias reencarnações. Por isso Allan Kardec cunhou a célebre frase: “Fora da caridade não há salvação”.
Para encerrar, gostaria de aqui transcrever uma frase dita pelo espírito do Dr. Inácio Ferreira, no livro “Fala, Dr.Inácio!” de Carlos Baccelli, quando perguntado sobre qual tema ele achava importante para uma palestra, no que ele responde: “O Espiritismo sem Jesus não tem sentido”.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O Sofrimento



Vivemos, sofremos e aprendemos. Jesus, quando encarnado na Terra, prometeu que enviaria o Consolador, que haveria de explicar o que ele não poderia explicar naquele tempo e relembrar o que ele havia explicado, e sendo o Evangelho também um livro de consolações, é natural que uma das missões do Espiritismo seja consolar.

A Doutrina dos Espíritos amplia nossa visão, com ela passamos a enxergar a vida como um todo e não só mais a atual existência, mas sim a vida em espírito e as várias reencarnações que tivemos e havemos de ter. Passamos a compreender que o sofrimento nada mais é do que o instrumento de aperfeiçoamento como espíritos imortais que somos.

Na questão 927 de “O Livro dos Espíritos” os Espíritos Superiores nos esclarecem, com muita propriedade, que o homem só é verdadeiramente infeliz quando lhe falta o necessário ao corpo e a saúde, mas que mesmo nesses casos, esse sofrimento adveio de atos passados e aquilo pelo qual ele está passando, não é nada mais do que o resgate desses atos pretéritos, que a forma de um remédio amargo que vem para o bem do doente, esses sofrimentos vêm para o nosso melhoramento, libertando-nos dos débitos pregressos.

Outras espécies de sofrimentos nos atingem, mas que também têm nós como causa. São aqueles sofrimentos morais descritos na questão 933 do citado livro:

“Se o homem, frequentemente, é o artífice dos seus sofrimentos materiais, não ocorre o mesmo com os sofrimentos morais? Mais ainda, porque os sofrimentos materiais, algumas vezes são independentes da vontade; mas o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, em uma palavra, são torturas da alma.”

Desta questão depreendemos duas coisas, primeiro que há sofrimentos materiais que são independentes, que não são fruto das más ações daquele que os sofrem, como aduzido na questão 924, esses sofrimentos existem, porque são causados por aqueles que ainda não possuem um sentimento de fraternidade, mas que devem ser suportados com resignação, pois são provas para o nosso progresso moral e a fé no futuro é o amparo que temos para suporta-los.

Secundariamente depreendemos que os maus sentimentos são causas de pungentes sofrimentos, e a inveja e o ciúme são os maiores deles. No capítulo 5, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, temos uma bela dissertação intitulada “Os Tormentos Voluntários”, que trata dos malefícios do ciúme e da inveja, que atormentam, tirando-nos o sono, fazendo-nos infelizes toda vez que deslumbramos a felicidade alheia. Por estes motivos devemos "podar" tais sentimentos de nossa alma, pois só assim alcançaremos a paz de consciência.

Concluímos, portanto, que do ponto de vista espírita, os sofrimentos pelos quais passamos nada mais são do que instrumentos para o nosso progresso, são como que estimulantes para o nosso crescimento, pois sem eles haveríamos de ficar estagnados e vivendo na ociosidade. Vide o mundo, se não fossem os sofrimentos causados por inúmeros fatores, seja doenças ou desastres naturais, o cérebro humano não teria trabalhado arduamente para conter as causas desses tormentos e assim não teríamos saído das cavernas.

No livro “Chico Xavier Responde” do médium Carlos Baccelli, o espírito do apostolo Francisco Cândido Xavier diz que “o sofrimento conduz ao progresso e o progresso anula, progressivamente, o sofrimento”, reflitamos, pois, nesta frase de sabedoria.