quarta-feira, 30 de janeiro de 2008



O ser humano sempre anseia por ser feliz, talvez esta seja a maior busca intentada pelos homens, mas devemos compreender que a felicidade plena não é deste mundo.

Na questão 920 de “O Livro dos Espíritos” Allan Kardec pergunta aos Espíritos Superiores: “O homem pode gozar, sobre a Terra, de uma felicidade completa?” No que as entidades venerandas respondem: “Não, visto que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Mas depende deles amenizar seus males e ser tão feliz quanto se pode ser sobre a Terra.”

Com os conhecimentos proporcionados pela Doutrina Espírita compreendemos que o nosso mundo é um dos mais atrasados existentes no vasto Universo e que aqui estamos expiando os erros das pregressas reencarnações ou passando por provas para o nosso burilamento íntimo, portanto a felicidade plena aqui ainda não é possível, mas não significa que aqui não podemos ser relativamente felizes, sendo que é exatamente isso que os Espíritos Superiores dizem na questão 921 que aqui transcrevemos:

“Concebe-se que o homem será feliz sobre a Terra quando a humanidade estiver transformada; mas, até lá, cada um pode se garantir uma felicidade relativa? O mais frequentemente, o homem é o artífice de sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, ele se poupa dos males e chega a uma felicidade tão grande quanto o comporta sua existência grosseria.”

Ser relativamente feliz, segundo os próprios Espíritos da Codificação aduzem na questão 922 é no, campo material, ter o necessário para viver e no campo moral, ter paz de consciência e fé no futuro. Daí depreendemos a importância da vivência do Evangelho como código moral que re-equilibra o ser humano lhe fornecendo diretrizes para uma vida saudável e como “receita” para a libertação dos erros do passado. Em outras palavras, os ensinamentos do Cristo nos trazem a paz de consciência quando os vivenciamos, pois eles são calcados na mais profunda fraternidade, fazendo com que evitemos cometer os erros ante cometidos e portanto de nos comprometermos com a nossa própria consciência, o que causa o remorso que tanto nos atormenta na vida espiritual.

Na sociedade capitalista de hoje os valores do “ter” em detrimento do “ser” é amplamente divulgado, o consumismo assim exige e para a grande maioria a felicidade consiste em ter os bens exaustivamente divulgados pela mídia, dando a impressão de marginalização para aqueles que não os possuem, o que não são poucos. De um lado então temos os que podem comprar os luxos levando uma vida fútil e vazia sem darem valor àquilo que realmente importa e de outros os humildes frustrados e sentindo-se marginalizados por não poderem acompanhar o consumismo capitalista.

Tais aspectos são reflexos do materialismo e como consta na questão 799 do já referido livro, a missão do Espiritismo é destruir o materialismo, que é um atraso para evolução moral da humanidade. A Doutrina Espírita demonstra no que deve se concentrar a nossa importância e assim conduzirá os homens ao encontro da verdadeira felicidade, que é a consciência tranqüila, por viver segundo a lei de amor ao próximo e possuir esperança em um futuro melhor, por compreender que todos os infortúnios que nos assaltam são para o nosso bem.

Busquemos, pois, sermos felizes segundo as diretrizes que o Consolador Prometido nos oferece, pois elas vêm de Deus e são a verdade, mas também não nos esqueçamos de levar na medida do possível essa luz para aqueles que ainda se ocupam das coisas passageiras desse mundo-escola em que vivemos.





segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Mudar o mundo

Mudar o mundo era um anseio que eu sempre tive quando era moleque, ver pessoas sofrendo sempre me comoveu e como todo adolescente inconseqüente eu achava que não deveríamos medir as conseqüências para alcançar esse fim, mesmo que elas fossem catastróficas.

Mas com o tempo eu fui aprendendo que só se muda o mundo quando mudamos a nós mesmos e que o nosso mundo é aquele que está ao nosso redor, aquele que está ao nosso alcance.

Hoje, dois anos e meio após ter conhecido a Doutrina Espírita, reconheço que ante uma pessoa que sofre por causas físicas, aquelas que tanto me comoviam e comovem, a melhor solução é o Evangelho de Jesus Cristo, claro, não significando que devemos nos abster de amenizar as dores físicas e necessidades materiais.

Mas entendendo que todas as aflições pelas quais passamos são fruto dos nossos atos errôneos seja desta ou de outra vida, o Evangelho, como a receita do psicoterapeuta de Nazaré, é o caminho para a mudança do mundo, pois ele é o mais significativo código moral que se amplamente divulgado e vivido, fará com que as pessoas levem uma vida reta, não mais cometendo os erros ante cometidos e assim não mais arrumando débitos ante a própria consciência.

Transcrevemos agora a questão 889 de “O Livro dos Espíritos”:

“Não há homens reduzidos à mendicância por suas faltas?
Sem dúvida, mas se uma boa educação moral os houvesse ensinado a praticar a lei de Deus , eles não cairiam nos excessos que causam sua perda; é disso sobretudo que depende o melhoramento do vosso globo.”

Em outras palavras, o melhoramento do mundo depende de uma boa educação moral, que nos leva a praticar a lei de Deus, pois é justamente o afastamento dessa lei que gera os sofrimentos humanos, essa lei que tem como ponto básico o amor ao próximo.

Então ao vermos pessoas que padecem de sofrimentos morais ou materiais, em decorrência da miséria ou de doenças, não nos furtemos de auxiliá-los da melhor maneira possível, mas não nos esqueçamos de levar-lhes também a luz do Evangelho de Jesus, que, conquanto não seja o único (vide o budismo, islamismo, etc), é o mais seguro roteiro de auto-iluminação de que nós dispomos.
Portanto o Espiritismo, sendo o Evangelho Restaurado, sem todas as imperfeições impostas pelo homem por interesses político-econômico, deve ser divulgado, não imposto, mas sua luz de esclarecimento e consolação deve brilhar entre os desvalidos e sofredores, ele deve ser usado como instrumento de moralização para que é um dia, com o decorrer das vidas sucessivas que nos permite progredir, não mais haver na Terra pessoas padecendo de dores intraduzíveis e esse dia só chegará quando a humanidade abandonar o egoísmo e vivenciar o amor ao próximo e a fraternidade.

De frente para Deus



Foi nos ensinado que quando morrêssemos iríamos para o céu e lá estaríamos frente a frente com Deus, sendo que Ele teria uma forma humana, talvez um velhinho de longa barba branca.

Assim como os antigos que não compreendiam o tempo tiveram que humaniza-lo com uma personificação humanóide do deus do tempo, nós assim o fizemos com o Deus único em que acreditamos, pois estamos longe de compreender o que é o Criador do Universo.

Na primeira pergunta de “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, o eminente codificador da Doutrina Espírita pergunta às Entidades Superiores:

“Que é Deus?” No que elas respondem: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”

Como depreendemos da retro-citada pergunta, a única coisa que podemos ter certeza é que Deus é a inteligência suprema e o Criador do universo, mas não que ele tenha forma humana, a razão nós convence de que essa forma simplista de crer num Deus antropomórfico não mais cabe em nossos dias, porquanto essa imagem é fruto da nossa inteligência limitada que tenta limitar também aquilo que não conhecemos.

A contínua análise das demais pergunta de “O Livro dos Espíritos” nós mostra que Deus deve possuir todas as virtudes ao infinito, sem o que ele não seria perfeito e não sendo perfeito a Lei que rege o universo estaria comprometida, pois como fruto de um ser imperfeito esta também seria imperfeita. Portanto Deus, para ser Deus, tem que ter todas as virtudes em um grau infinito e perfeito.

Mas debater sobre o que é Deus é conversa infrutífera, porquanto, como consta no primeiro livro do Pentateuco Kardequiano, nós ainda não possuímos todos os sentidos suficientes para contemplarmos a Deus. O importante no nosso estágio evolucional é o que está acertadamente grafado na seguinte passagem do Novo Testamento:

“Deus é amor.” (I João, 5:16)

Deus é amor, sim, Deus não pune e não castiga, não guarda ódio porque Nele nunca existiu ódio que é um vício e Deus é pura virtude.

Deus não escreve certo por linhas tortas, Ele escreve certo e somos nós que lemos torto.

Como seres inteligentes possuímos o livre arbítrio e com isso a responsabilidade por nossos atos, portanto quem planta o mal colherá sofrimento e quem planta o bem colherá venturas.

Não é Deus que inflige aos Seus filhos os sofrimentos físicos e morais, mas sim nós mesmos que por conta de atos egoístas e desvarios da inconseqüência, nos comprometemos diante da nossa própria consciência que mais cedo ou mais tarde acaba por nos trazer o resultado desses atos.

Essa é a Lei que rege o universo, a Lei de Causa e Efeito, já preconizada por Newton, onde todos os nossos atos e até mesmos pensamentos refletem-se em nós mesmos. Daí a importância de uma conduta reta, voltada para o amor ao próximo que Jesus, o espírito perfeito, tanto elucidou-nos.

Com o Espiritismo compreendemos que Deus não é o carrasco da iniqüidade que pune a uns e privilegia a outros, mas sim que Ele é o Pai e Criador de todos e Quer que todos evoluam, como espíritos imortais que somos, até chegarmos a plenitude, onde estaremos libertos das nossas más tendências e dos efeitos das nossas más ações do passado e para trilharmos esse caminho o Evangelho de Jesus é a nossa bússola ou como diz Divaldo Franco, é o mapa do tesouro.

Portanto sigamos essa rota de amor ao próximo e fraternidade, onde a vivência do bem e da caridade moral e material são exercícios para domar nossos vícios e encher nossos corações com esse amor fraterno que um dia há de se instalar sobre a Terra.